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17 de outubro de 2008

Seu Chico, amigo inesquecível


Esta foto foi umas das poucas que tirei do meu amigo, Seu Chico, assassinado covardemente em 2006.
Para mim, ainda continua sorrindo ao lado da Sinhá Alaide, a sua eterna companheira.
Ô, Monêgo, que saudade da tua conversa franca, olho-no-olho, um verdadeiro resgate da cultura daqueles que foram os agricultores da Ilha, gente da roça, vivendo muito distante do mar e da pesca.
Quando te visitava tinha a sensação de que o tempo rodava pra trás, e lembro bem da primeira vez que estive aí, no Sertão do Ribeirão, com minha XL250, barraca e uma filmadora VHS e não pude retornar pois desabou o céu e passei três dias encantados, filmando sob as luzes de duas pombocas até o fim das baterias, porque não havia onde recarregar...
E bebemos um bocado de cachaça, comemos banana na chapa, tomamos muito café e falamos sobre teu pai, tua vida, tua companheira, levada às pressas pelo Jeep do exército, única condução viável nos teus caminhos. A noite descascamos amendoim, de dia cortamos cana, recolhemos lenha e depois teve uma moída, com boi. E viví outras tantas vezes contigo até o derradeiro dia que apagaram a tua presença, véspera da instalação da "maldita" luz elétrica...
E foi-se o boi, a cana, a cachaça, a palavra, o olho-no-olho e o tempo, súbito, virou presente e agora já é amanhã e lá chegaram os postes com fios e geladeira, pra quê? Se a tênue linha da vida ficou partida para sempre.

2 comentários:

païva disse...

Pô Renato, me emocionei. Que aventura no tempo vivemos, fomos marcados para sempre por esta presença e ausência. Obrigado amigo!

Martin Winter disse...

É uma bela foto. Também passei alguns dos melhores dias da minha vida "andando para trás" — aliás, que bela expressão—, só que no Sertão do Peri, um pouco mais abaixo. Eu lembro que o crime aconteceu na semana em que eu cheguei em Florianópilis e, até onde eu sei, o assassino nunca foi descoberto. Ou ninguém quis mesmo descobrir.
Abraços,

Martin
www.valehistorico.blogspot.com