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19 de outubro de 2008

Ruy Braga

O Zona Industrial foi uma performance mutlimídia que aconteceu no Armazém Vieira, em que participei na elaboração dos vídeos e na instalação dos efeitos especiais e sonorização



A moto 1912 foi erguida e dependurada nos barrotes da parte de trás do Armazém, onde ficava a engarrafadora. Neste espaço o Zona aconteceu, com performers que se misturavam a trocentos espectadores. Teve gente que saiu dali dizendo que não entendeu nada, mas viajou um bocado!

O Luamar foi outra apresentação no Armazém Vieira em que eu e o Ruy fomos convidados. O Ruy criou o cenário, objetos de cena e máscaras. Eu criei uma série de slides que foram projetados durante a peça, a iluminação e as mesas em meia lua

O Ruy, num momento de descontração da montagem do Luamar
O surfista de banheira com uma criação para o Aroldo Borboleta Azul.

Diversão & Arte, Luamar, Zona Industrial, Clube da Música, Box 32, Armazém Vieira, Grécia... e tem a história do passarinho. A casa do Ruy, no Campeche, era absolutamente excêntrica. Uma escotilha na porta triangular, aberta através de uma corda com pesos; as janelas tortas; a varanda bicuda; tudo evocava o expressionismo alemão, Dr Caligari, por aí... Este era clima da casa, construída pelo Aroldo, o Hari. Bom, lá estávamos a olhar as últimas revistas e livros que ele trouxera de Sampa, quando, inadvertidamente eu fixo o olhar numa gaiola em cima da geladeira. Um pássaro de madeira era o que tinha lá dentro, a gaiola, uma obra de arte do Ruy. Continuamos a conversar, então, o Ruy levanta e vai até a geladeira, pegar mais gelo... Estranho, mas ouvi um passarinho cantar bem baixinho naquela direção. Isso passou assim, sem mais. Continuamos a ver o material e toda vez que ele levantava para ir para algum canto da casa, eu ouvia aquele passarinho... Não comentei naquele momento, mas aquele cantar, meio lamento já começava a me intrigar. E passa o tempo... e era ele levantar e o som do passarinho... Lá pelas tantas, perguntei, de sacanagem: ô Ruy, aquele passarinho na gaiola em cima da geladeira, de vez em quando, canta? Ao invés de ironizar a conversa, como era seu hábito, parou, ficou bem sério e respondeu: Olha, já faz um tempão que um passarinho me persegue aqui dentro de casa e é sempre quando estou andando... Olhei para a sua sandália e caí numa gargalhada incontrolável, daquelas de chorar e ele ali, paradão, sem entender nada. Eu tentava dizer que havia matado a charada do passarinho, pois o assobio vinha da sua sandália, que, por causa da pressão, enquanto ele caminhava, emitia o tal "canto do passarinho". Quando consegui, finalmente, dizer o que se passava, a gargalhada estourou de vez. Virou a "história do passarinho" que a gente contou umas tantas vezes.

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