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19 de outubro de 2008

Sílvio Coelho dos Santos II


O Professor Sílvio, nos anos setenta, foi um dos fundadores da editora da Edeme, onde publicou vários livros, mas eu não o conhecia. Fui conhecê-lo pelas mãos do Manoalvim, em 1996.
O primeiro livro que trabalhei com o Professor foi o fantástico Xokleng. Depois vieram o Santa Catarina no Século XX; Memória do Setor Elétrico; São Francisco do Sul, muito além da viagem de Gonneville; Memória da Antropologia e Ensaios Oportunos.
Foi no Xokleng que tive o prazer de conviver muito além do contato designer/escritor com este personagem encantador, que foi o Professor Sílvio. É certo que estava desgostoso com o material gráfico que até então se apresentava, confessou certo dia, queria alguém que se entrosasse como toda a sua equipe, de coração nos projetos, aí tocou na minha alma. Resultado: Li, antes de mais nada, os originais; fiquei apaixonado pela obra; os livros foram impressos e os direitos autorais do Prof. Sílvio (300 livros) foram distribuídos entre os índios Xokleng em Ibirama e fui eu quem levou e distribuiu um a um pelo assentamento. O Flávio Wiik me acompanhou nessa empreitada, de onde saí com imagens de um povo oprimido, que sobrevive numa ilha cercada de predadores brancos por todos os lados. Fala, Professor, fala: "Ganhar e gastar fazem parte do cotidiano indígina, pois sua tradição é contrária às diversas formas de acumulação. O coletivo ainda predomina sobre o individual. Se alguém tem demais, divide; faz uma festa ou gasta com presentes. Assim, os Xokleng continuam sendo os mantenedores dos espaços da diferença cultural, que lhes permite continuar a ser índios, a ser um povo". Agora, a luta é espiritual.

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