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9 de novembro de 2008

Ilha do Campeche

Antes de sentir o estômago alcançar o tímpano, a ilha é, sem dúvida, um mergulho fantástico!
Na Ilha de Santa Catarina existem mergulhos fabulosos, de todos, acredito, o da ilha do Campeche seja fundamental. Primeiro, as trilhas levam a costões íngremes recheados de inscrições rupestres. Porém, é preciso treinar o olhar, senão fica difícil ver qualquer coisa, depois é uma delícia sem fim!
Setembro de 1997, lá estava eu, para fazer um ensaio sobre a ilha e seus misteriosos inscritos, para o jornal Fala Campeche. Uma baleeira e quarenta e cinco minutos de uma manhã ensolarada me transportaram, carregado de equipamentos, da Armação até a ilha. Um marzão calmo, limpo e azul, prometia visibilidade. Já na chegada, um tiê-sangue deu as boas vindas e quatis, como sempre, perambulavam na espreita de sacolas descuidadas dos parcos visitantes. Os quatis foram introduzidos há anos, para divertimento do pessoal do Clube de Tiro, e acabou virando "praga", coisa que o humano sabe "administrar" muito bem, digamos assim.
O roteiro: aproveitar a luz para os slides e, depois, mergulhar, esfriar a cabeça e relaxar. Relaxei tanto que perdi a hora da saída do barco. Atravessei a ilha a tanto quanto por hora o equipamento permitia e, já no bar do Batata, umas cinco da tarde, veio a ordem: ninguém pode permanecer na ilha. E toca passar rádio para me buscar. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, portanto a galera estava acostumada, e, afinal, eu estava a serviço. Tudo combinado.

Barco na praia, arregaçamos os equipamentos, fizemos as despedidas e não é que lá no meio do caminho bate um vento sul? E, junto, aparece um pretume vindo de lá do Ribeirão? Não demora muito, o barqueiro olha pra mim, aponta para uma lona dobrada no chão e faz o sinal da cruz. Nem precisava falar mais nada. Daqui a pouco, despenca uma chuva véia, como dizem os ilhéus, e o pau pegou.

Era uma baleeira bordada com motor de centro, capaz de dar piruetas no mar, coisa que faltou pouco, porque a gente subia numa rampa e descia para o nada, dando a impressão de que iríamos entrar de bico a qualquer momento. O barco saía da vaga e parecia que dava de chapa num cimentado, levando meu estômago até a altura das orelhas e vice-versa. Quanto demorou? Nem imagino, só lembro da família do barqueiro puxando a baleeira no lusco-fusco da Armação, e da sensação quase abstrata que tive, durante dias, de estar faltando sempre alguns centímetros para tocar o chão. Por alguns segundos, me grudava numa cadeira, na quina da mesa, na maçaneta, qualquer coisa firme, só para ter certeza de que não seria atirado para fora.

Os slides ficaram massa!

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