Páginas

7 de dezembro de 2008

Muito além da Solidão


Tem o Saquinho e depois Naufragados. Quirino, Marli, Eduardo e Ricardo: a família do Bar do Saquinho, uma das quatro famílias que moram neste pedaço de paraíso, perdido no sul da Ilha.
Para chegar, só a pé, depois de uma trilha feita para mocinhas e velhinhos desamparados (hehehe). Está totalmente calçada, bem espaçosa e fazendo bonito, circunda costões, sobe e desce ladeiras, e ainda tem muito visual amplo e perfumado.
Até posso estar exagerando um pouco quando descrevo que é uma trilha para mocinhas e velhinhos desamparados, porque pode ter gente que vai ralhar comigo, como vira-e-mexe ralham com o Quirino. Estes, chegam ao bar mais-ou-menos-sempre-assim: o cara, eufórico, deslumbrado com a paisagem e a parceira, gatinha ou senhora, bufando adoidado e reclamando de borrachudos, ladeiras, escorregões... Êpa, só estou registrando os fatos comentados pelo Quirino.
É bom ir com tempo, pois o papo é gostoso, igual a cachaça, que vem de Antonio Carlos ou o marisco e o peixinho, tudo fresco. É o Quirino quem pesca, logo ali (o logo ali pode ser uma pernada bem puxada para quem está acostumado a levar esta frase ao pé-da-letra). Aliás, o único pescador que sabe nadar! E nada todo dia. E quando tem maratona ou passeio em volta da Ilha, está sempre pronto para ajudar a marcar as trilhas, acompanhar, servir. Afinal, precisa estar sempre em forma, porque além de pescar e cuidar do bar, com a família, ele é carpinteiro. E, depois, tudo o que chega no Saquinho é nas costas, sabia?. Nem barco consegue atracar por lá.No Saquinho não tem luz elétrica, a geladeira é a gás e lâmpadas ou celular se abastecem com um gerador eólico, uma experiência com a PUC RS, que vem dando certo há mais de cinco anos.
Depois do almoço rápido e gostoso, eu e a Gabi fomos até quase chegar em Naufragados, pela trilha que continua por costões e passa por túneis de vegetação que dão ao caminhante a idéia de andar, tal e qual os navegantes descreveram, por luxuriante e verdejante vegetação da Ilha do século XVIII. E com muito passarinho para observar! Ah, vimos duas cotias no caminho!

Nenhum comentário: