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20 de novembro de 2008

Anjos sobre a Reserva

Ser jogado de um lado para outro dentro de uma cesta que oscila de 0 a 90 graus produziu tanta adrenalina, que parecia impossível flutuar sobre a Reserva assim que a amarra fosse cortada. Foi como alçar vôo de um terremoto. Deu vontade de ficar flanando o resto da vida, porém, teve o pouso, outra hecatombe. A tripulação: no comando, o campeão brasileiro Lupércio Lima e o estreante Rodrigo Sabatini, mentor da aventura e eu, na garupa. Cinegrafistas, fotógrafos e resgate tiveram muito trabalho num vôo radical que pretendia entrar no canyon da Reserva Rio das Furnas, no entanto o vento mudou e a gente raspou.
Balão vai onde o vento
quer, não é dirigível. O que o piloto faz é procurar o vento em altitudes diferentes, usando maçaricos que esquentam o ar para subir ou usando o “tap”, que destampa um grande buraco no topo do balão, acionado por uma cordinha, para descer. O resto fica por conta dos humores do tempo, que aqui no Alto da Boa Vista costumam ser bem rebeldes. Um desafio para campeão. A primeira tentativa no domingo de manhã teve neblina até perto do horário do vôo, as nove em ponto, depois, ventania. Vôo adiado para 16 horas. Tudo pronto para a tarde e o céu, roxo, ameaçava despencar mesmo contra todas as previsões dos sites meteorológicos.
Descobrimos que balonista é perseverante ao extremo, e toca para o Alto da Boa Vista esperar uma “janela” para zarpar, o que aconteceu as 16:30. No ar, só conversa angelical. A Serra
Geral, São Leonardo, o rio das Furnas, muito canyon, lua, pôr-de-sol e... atrocidades.
Ah, se tivessemos o poder dos habitantes dos céus, quanto mudaríamos na terra, hein, Wim Wenders?!
Publiquei esta matéria no NEWS da Reserva. Agora, tem o link do programa Santa Catarina em Cena, que foi ao ar na RBS-TV. Para ver o vídeo, click aqui.

13 de novembro de 2008

Livro Xokleng em PDF

Em homenagem ao Professor Sílvio, disponibilizo uma versão do livro Xokleng em PDF. A obra é protegida por direitos autorais e está esgotada.


http://issuu.com/riodasfurnas/docs/xokleng

12 de novembro de 2008

Folder inédito para Santo Amaro

Em 2005 o SuperImperatriz inaugurou a sua nova loja em Santo Amaro, berço da família Lohn. No mesmo local onde havia sido o primeiro mercado da Rede instalou-se um novo e, na época, o Vidal Lohn me convidou para produzir as fotos e também um folder para o lançamento. Os gastos com a obra ficaram além das previsões e o folder, inédito. Durante a pesquisa encontrei muitas pessoas que disponibilizaram fotos e informações, que me permitiram produzir um material bem interessante.

9 de novembro de 2008

Ilha do Campeche

Antes de sentir o estômago alcançar o tímpano, a ilha é, sem dúvida, um mergulho fantástico!
Na Ilha de Santa Catarina existem mergulhos fabulosos, de todos, acredito, o da ilha do Campeche seja fundamental. Primeiro, as trilhas levam a costões íngremes recheados de inscrições rupestres. Porém, é preciso treinar o olhar, senão fica difícil ver qualquer coisa, depois é uma delícia sem fim!
Setembro de 1997, lá estava eu, para fazer um ensaio sobre a ilha e seus misteriosos inscritos, para o jornal Fala Campeche. Uma baleeira e quarenta e cinco minutos de uma manhã ensolarada me transportaram, carregado de equipamentos, da Armação até a ilha. Um marzão calmo, limpo e azul, prometia visibilidade. Já na chegada, um tiê-sangue deu as boas vindas e quatis, como sempre, perambulavam na espreita de sacolas descuidadas dos parcos visitantes. Os quatis foram introduzidos há anos, para divertimento do pessoal do Clube de Tiro, e acabou virando "praga", coisa que o humano sabe "administrar" muito bem, digamos assim.
O roteiro: aproveitar a luz para os slides e, depois, mergulhar, esfriar a cabeça e relaxar. Relaxei tanto que perdi a hora da saída do barco. Atravessei a ilha a tanto quanto por hora o equipamento permitia e, já no bar do Batata, umas cinco da tarde, veio a ordem: ninguém pode permanecer na ilha. E toca passar rádio para me buscar. Não foi a primeira vez que isso aconteceu, portanto a galera estava acostumada, e, afinal, eu estava a serviço. Tudo combinado.

Barco na praia, arregaçamos os equipamentos, fizemos as despedidas e não é que lá no meio do caminho bate um vento sul? E, junto, aparece um pretume vindo de lá do Ribeirão? Não demora muito, o barqueiro olha pra mim, aponta para uma lona dobrada no chão e faz o sinal da cruz. Nem precisava falar mais nada. Daqui a pouco, despenca uma chuva véia, como dizem os ilhéus, e o pau pegou.

Era uma baleeira bordada com motor de centro, capaz de dar piruetas no mar, coisa que faltou pouco, porque a gente subia numa rampa e descia para o nada, dando a impressão de que iríamos entrar de bico a qualquer momento. O barco saía da vaga e parecia que dava de chapa num cimentado, levando meu estômago até a altura das orelhas e vice-versa. Quanto demorou? Nem imagino, só lembro da família do barqueiro puxando a baleeira no lusco-fusco da Armação, e da sensação quase abstrata que tive, durante dias, de estar faltando sempre alguns centímetros para tocar o chão. Por alguns segundos, me grudava numa cadeira, na quina da mesa, na maçaneta, qualquer coisa firme, só para ter certeza de que não seria atirado para fora.

Os slides ficaram massa!

8 de novembro de 2008

Past up na Folha

Nos anos setenta o cabelo tinha um peso grande para as empresas e, como eu preferia mantê-lo, passei a dar menos importância para o emprego. Assim, fui parar onde cabeludo era quase regra: nas oficinas da Folha de São Paulo.
O serviço era passar cera quente no papel, recortar com estilete, colar conforme um diagrama numa prancha quadriculada de azul, riscar os fios com nankin, corrigir as vírgulas e acentos de última hora e torcer para que, no caminho entre a sua página e o fotolito, não caísse nenhuma letra. Isso, o que um Past up fazia na Folha, toda santa noite. Quanto mais rápido, melhor.
Tinha lá a Gaveta de Cristal, sabe?! Pois é, funcionava assim: lá pelas tantas você precisava montar uma das seções mais lidas da Folha: o horóscopo. Então, abria a Gaveta, misturava e era só colar os bloquinhos de texto, já encerados, até fechar a coluna. E, não é que sempre dava certo? Diziam... Hoje, quando leio matérias científicas que afirmam terem, finalmente, confirmado o efeito da sugestão para a cura de qualquer mal, lembro da tal Gaveta.
Não tardou, comecei a montar as primeiras páginas, pouco tempo depois já estava diagramando e ainda sobrava tempo para visitar o Maurício de Souza, no último andar... Queria ser letrista de quadrinhos, mas o pessoal gostava da rapidez e limpeza com que eu montava as páginas e não saí do lugar. Fiquei o suficiente para escapar do salário, inversamente proporcional ao tamanho do cabelo da moçada.

4 de novembro de 2008

Lagoa cartesiana

Sob este título fiz uma série de slides, em 1997, da Lagoa da Conceição e suas lagoinhas, formadas pelas águas da chuva. Uma delícia para banhos noturnos, inclusive.

3 de novembro de 2008

Corupá



Deste ensaio, tenho muitos slides inéditos. Uma bela saída de campo com o amigo Tarcísio Mattos.

Hassis na Escola Sul

Hassis e os quadros para a Escola: mais de quarenta maravilhosas pinturas com o tema trabalhadores.

Uma logo para a Escola Sul

Escola Sindical Sul


Uma das primeiras escolas de hotelaria da Ilha de Santa Catarina, com direito a instalações de primeiro mundo, e ainda por cima da CUT? Pois é, existe e quem quiser ver é só ir até Ponta das Canas. No final dos anos noventa, fiz a programação visual do empreendimento e dos diversos cursos e projetos desenvolvidos na Escola e no Hotel. Na época, conheci o grande artista Hassis, e tive o prazer de ver as suas obras instaladas nos aposentos do Hotel, como ainda devem estar até hoje, além de poder utilizar algumas destas pinturas em trabalhos gráficos. Em tempo: a logo da Escola Sul já havia sido criada por outro escritório de design e não houve como mudar...

2 de novembro de 2008

Rio do Sul

Quem me desvendou os segredos de Rio do Sul foi o Jorge Krieger. Trilheiro de primeira, conhece todos os cantos: dowhills que já fez de bike, rappeleiro incansável, incentivador do rafting de Ibirama, e apoiador, de quebra, do Tschumistok. Ultimamente, anda pulando de para-quedas, o advogado, além de tudo. Na frente da cachoeira Jacomine, na foto, reverenciamos um índio-velho.
O que sobrou dos Três "Pico" já era pouco quando fiz esta foto, no final dos anos noventa. Primeiro, carregaram quase toda a areia - areia quartzo com baixo teor de óxido de ferro - para fabricação de cristais. Depois de algum tempo voltamos para matar a saudade do visual, que ainda era maravihoso, e tivemos uma experiência estarrecedora, pois, além de não conseguirmos achar o caminho de chegada a esta caverna da foto, todo o seu entorno estava absolutamente destruído e substituído por uma gigantesca plantação de pinus. Outro índio-velho ainda permanece na caverna?

Ilha de Santa Catarina

Praia do Forte de Jurerê

Piteira na Praia dos Ingleses

Ratones, uma das ilhas da Ilha de Santa Catarina

As gaivotas também brincam nas Dunas da Lagoa da Conceição

Cachoeira do Bom Jesus e seu pescador

Chui, Rio Paraná, Aconcágua, Puente del Inca

Com José Vitor Centeno (Azebita) fiz uma viagem ao Chuí, em 1997, para o lançamento do seu livro Em Qualquer Ponto da América, no qual trabalhei o design e fotos. No sul do Brasil descobri o quanto as pessoas conhecem e gostam de falar sobre a sua História. Na foto, uma fortificação dos tempos da Guerra do Paraguai.

As grandes embarcações em formato aberto são frequentes no Rio Paraná, na divisa com a Argentina.


Parque do Aconcágua. Uma viagem inesquecível, que fiz com a Gabriela na virada de 1999 para 2000. Chegamos a mais de cinco mil metros de altitude, onde o ar é cristalino e a água, carregada de sal, é suave como uma pluma.

Paredes contruídas na Puente del Inca. Lá estivemos, solitários visitantes, na virada do século.



Um big olho dágua na volta para o Brasil


A pirâmide do Pico do Aconcágua


Água mineral vertendo dos picos


Do Morro da Cruz, ve-se o Aconcágua, mais a direita


Na subida para o Morro da Cruz, uma parada para esticar


O lado Chileno com um caminho que mal dá pra se ver na parte inferior, proibido descer!


Gelo pra viagem!


Esfriando a cabeça...


A estrada precária onde subimos com a Toya, para os 5.800m



Incas utilizaram esta passagem, que ficou conhecida como Puente del Inca, com águas termais riquíssimas em calcário, sódio e ferro, tudo é dourado e azulado por dentro.

São José da Terra Firme


Este é o segundo livro de uma trilogia que o Gilberto Gerlach prepara há 40 anos. O primeiro a ser lançado deveria ser o Desterro, mas não foi. A Prefeitura de São José bancou a edição do livro sobre a sua cidade.
Já estou com o Desterro prontinho em meu computador há pelo menos dois anos, pois desde 2004 trabalhamos nele, aqui, na Reserva Rio das Furnas. É uma obra riquíssima e de leitura extremamente agradável. Como o São José, repleto de iconografia inédita e relatos de viajantes desde o século XVIII até o derradeiro 1894, quando a Nossa Senhora do Desterro mudou de nome, em homenagem a um tirano que a história há de condenar ao esquecimento. O Gilberto adicinou, de lambuja, crônicas, notícias e anúncios de jornais da época, que criam um fabuloso mosaico das cenas do povo ilhéu e continental, longe de ser cartesiano, como o próprio Gerlach enfatiza, são obras para deleite. Modesto.
Muitas viagens aos quatro cantos do planeta fazem com que os livros sejam constantemente modificados, pois sempre há uma crônica indispensável, uma foto descoberta, uma ilustração imprescindível e toca aumentar o número de páginas, rever capítulos, revisar os espaços, enfim. Deixar de fora, nem pensar!
Certa vez, o Prof. Sílvio Coelho bem disse: se você não põe um ponto final à pesquisa, e fica a buscar pela perfeição nos detalhes, consome-se uma vida e o livro não sai. Este Desterro já poderia ter sido editado, caso houvesse interesse do poder público por este tipo de obra. Enquanto não sai, o Gilberto viaja e aparece com boas novidades, fazer o quê? Já estamos em 636 páginas em dois maravilhosos tomos.
O terceiro livro é o Ilha de Santa Catarina, que parte onde o Desterro termina, em 1894 e vai até os anos trinta, quarenta, com a fotografia ganhando espaços e o mise-en-cene perdendo de vez a graça. Já são dois tomos e quase seissentas páginas.
Atenção editores, empresários e administradores públicos visionários, é chegada a hora!