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14 de fevereiro de 2009

O filho do vento e da chuva

Na primeira vez em que vimos um ninho de Tecelão estavamos a mais ou menos um quilômetro Rio das Furnas acima, próximos da Cachoeira da Garganta. Sobre as corredeiras e rios, onde as imensas árvores da mata ciliar fornecem abrigo e sombra, o Tecelão constrói a sua obra com crina vegetal negra (hifas do cogumelo Marasmius) ou barba-de-velho (Tillandsia usneoides), com a precisão de uma máquina! Tece um ninho solitário, ao contrário de seu parente, o Xexéu, que nidifica em colônias. Naquela primeira vez, observamos dois ninhos, um ao lado do outro, nada de passarinho. Esta foto é recente e foi tirada depois de vários dias na espera. Ficamos impressionados com a maleabilidade e a agilidade com que o Tecelão entrava e saía pela pequena abertura superior de sua bolsa, muitas vezes com ventos fortes que inclinavam o ninho na horizontal! Foram vários dias de observação, de um lugar privilegiado -talvez construído de propósito?-, acima de uma pequena piscina, onde a Trilha da Ilha emenda com o Rio das Furnas. Segundo Helmut Sick, os ventos fortes derrubam o ninho contendo ovos ou filhotes. Há casos em que os pais continuam a alimentar seus filhotes no ninho caído. Também podem ser destruídos por chuvas pesadas, importante fator-limite da época de nidificação.
Normalmente é a fêmea que se encarrega da construção do ninho e dos cuidados aos filhotes. Também são polígamos, o que justifica os outros dois Tecelões que observamos nas proximidades deste ninho. Entre os saqueadores de ninhos do Tecelão estão as cobras, macacos, tucanos,
araçaris e o Gavião-carijó (Rupornis Magnirostris). As vezes podemos encontrar estes ninhos construídos perto de abelhas e vespas, o que é uma defesa para o Tecelão e originou uma lenda.
Os Xexéus tinham inimigos que quebravam seus ovos e matavam seus filhotes quando eles saiam em busca de alimento. Solicitaram às vespas que fossem madrinhas dos seus filhos e assim as vespas construiram sua casa perto dos ninhos dessas aves para velar pelos filhotes.

Da janela de casa, já bem distante do maravilhoso ninho, temos observado, diariamente, um filhote de Tecelão ser alimentado. Seria o mesmo que nasceu em cima do Rio das Furnas?

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