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23 de outubro de 2009

O maquinista de sonhos


Pra onde vão os trens meu pai?

Para Mahal, Tamí, para Camirí, espaços no mapa,
e depois o pai ria: também pra lugar algum meu filho,
tu podes ir e ainda que se mova o trem

tu não te moves de ti

Hilda Hilst, Tu não te moves de ti
Presente da Gra, nosso amor: de todo coração e um pouco de literatura, das boa!




Ganhamos de presente, um CD repleto de fotos antigas. O amigo Rainer enviou pelo Correio. A de cima é uminha e tem mais centenas! Encantadoras, reveladoras , mas neste textinho vai só uma palhinha, que é pra dar vontade de ver mais.


Sabe quem iria vibrar com esta descoberta? O saudoso e querido amigo Sílvio Coelho dos Santos.

APITA, APITA!!!
Todos temos paixão pelos trilhos. Seja porque um dia nos levaram a passear ou porque os filmes sempre estão a lembrar que por aquelas paralelas cruzaram muitas, mas muitas histórias. Umas verdadeiras de doer e outras leves e traquinas.

Assim, lembrando de cinema, fomos parar em Piratuba, lugarejo com duas coisas boas: tomar banho nas termas e conhecer o Rainer. Um dia também veremos o Festival de Vídeo que o Gilberto Gerlach nos anunciou várias vezes.
Ah, tem mais coisa boa na cidade, sim: os moradores de Piratuba são gentis e hospitaleiros. No mais, muito concreto, pilhas de lojinhas e nenhuma área de preservação pra valer, uma pena...

Peterson Nepomuceno, foguista e futuro maquinista e o atual, Rainer Ilg. Destacado piloto de vôos em linhas particulares, Ilg passa boa parte das horas em terra sentido o calor da caldeira da locomotiva.

Gravamos uma hora inteira de entrevista com o Rainer, porém, numa falta de sorte total, nossa gravação desapareceu, assim, sem mais nem menos evaporou do gravador. Perdemos referências, nomes e curiosidades dessa grande figura, que ao lado do seu fiel escudeiro, o Peterson, parou para explicar como funciona uma Maria-Fumaça, construída em 1907 entre tantos causos que seriam a base, o off do video que fermenta na minha cabeça.

Rainer é um dos fundadores da Regional Santa Catarina da ABPF, uma associação dirigida para quem e por quem parece que gosta de ouvir vinil, andar de bicicleta, olhar para os lados, cumprimentar os passantes, enfim, para quem quer viver todos os tempos, calmamente.

Depois de andar por Piratuba um bom tempo, pegar a Maria-fumaça na curva e fotografar muitas peças maravilhosas, Rainer armou um passeio inesquecível pra gente, na cidade vizinha, Gaurama, onde o Edson Luiz Ramos nos esperava com a sua Super Rural.
Bom, essa conversa vou deixar para uma outra vez, quando tiver editado o video.

Por enquanto mando alguns frames, só pra dar água na boca.

O Edson pilota a Rural entre as paralelas. Nada de curva fechada, volante pra quê?

Os espinheiros riscam a perna dos trabalhadores, mas isso não é nada. Pior: muito lixo na beira dos trilhos, jogados pelos moradores. Êta raça sem graça!

Três eixos e vira de um lado para outro, magicamente.

A bem humorada turma da manutenção da linha Piratuba/Erechim, depois do passeio, num dia de folga.


A Toya e a minha amada Gabriela na janelinha, sobre a ponte de Marcelino Ramos, divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde o Pelotas encontra-se com o rio do Peixe e formam o Uruguai.



2 comentários:

agraindia disse...

Rê, que coisa mais bacana. Vou tentar conseguir umas fotos da linha Val de Palmas pra juntar neste seu acervo. Lendo, fui lembrando das viagens que costumávamos fazer e que chegavam até Corumbá..... que saudade. Um tempo que passa mas não some.
harih om!

adri

Renato Rizzaro disse...

Valeu, Adri, é isso mesmo! Foi um cutucão na memória a minha intenção e esta matéria pretende botar luz sobre os trilhos e estou cheio de lembranças das mais boas do mundo!
Uma delas foi descer pela cremalheira em Paranapiacaba/Cubatão, escondido entre os vagões. Isso nos idos anos setenta. Coisa de filme...

Beijos, Re