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30 de setembro de 2010

Papo branco em noite de lua


Coisa
feita de brisa,
de mágoa
e de calmaria,
dentro
de um tal poema,
qual poesia
pousaria?
(Paulo Leminski)

29 de setembro de 2010

Imagens de São José da Terra Firme









Bem perto da praça de São José ainda sobrou um cantinho digno de Pierre Verger. Pois é por ali que daqui a pouco querem passar uma via. Mais uma via! E, de via em via, vamos afundando para sempre a possibilidade de pousar a vista nas pedras, escutar o marulho, ver biguá, passear à fresca.
Ainda é tempo, vai, veja se descobre onde fica a paisagem. Se há pressa, pergunte; se não, ande um pouco pela beirada do que sobrevive aos tempos modernos que logo verás uma brecha.
Desça, quem sabe molhe o pé, mas cuidado! Há cacos e o tempo pode arrancar do teu peito um soluço e se houver, que seja lépido pois há freiadas, buzinaços e lombadas bem nas tuas costas.

22 de setembro de 2010

Dona Dirma e Seu Doca do Santinho

Essa foto já tem mais de dez anos, fiz em cromo 35mm e a história que envolve esse encontro é bacana.
Chegamos assim, eu e a Gabi, como quem não quer nada, como sempre andando pelaí, procurando ter o que contar um dia, juntando lembranças.

Lá pelos cantos entre o Santinho e os Ingleses, na Ilha de Santa Catarina, atravessamos as dunas e demos de cara com o Seu Doca e a Dona Dirma, que chegava naquele instante trazendo um agrado pro seu marido. Acontece que era a primeira vez que a Dona Dirma se achegava por aquelas bandas, pra ver a lida do marido e a gente estava por lá também.

Conversamos um bocado e soubemos dos tipos de aviso da chegada de um cardume, da tática para enxergar o peixe, da maneira de ficar por ali sapiando o mar e não perder a ideia, o rumo, de tanto mirar a água, o sol e o horizonte.
Seu Doca é olheiro há muito tempo e Dona Dirma faz renda de bilro enquanto isso.


Demorou, mas escaneei o slide agorinha e a ideia é levar uma cópia em papel pros dois, em breve. Depois, conto o resultado.