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7 de dezembro de 2012

Roda de Passarinho em Alta Floresta

Protegido desde a nascente, graças a RPPN e ao Parque Estadual, todos com o mesmo nome: Cristalino. Foto: Renato Rizzaro

Uirapuru-verdadeiro (Cyphorhinus arada), procurado por todos. Foto: Renato Rizzaro

Jibóia-arco-íris ou Salamanta do Amazonas (Epicrates cenchria), presente de despedida. Foto: Renato Rizzaro

Ninho de Gavião-real (Harpia harpyja) com filhote. Foto: Renato Rizzaro


Tartaruga atravessa tranquilamente a estrada. Aqui está protegida. Foto: Renato Rizzaro

Crianças especialmente convidadas pela Fundação Cristalino para a Roda de Passarinho. Foto: Renato Rizzaro
Renato conta o "segredo" para a embocadura das flautas. Foto: Gabriela Giovanka
Alegria por conseguir tirar um "som da floresta". Foto: Renato Rizzaro
A Floresta nos dá oxigênio, frutos, flores, comida e música. Foto: Renato Rizzaro
Dona Vitória Da Riva Carvalho, presidente da Fundação Ecológica Cristalino e diretora do Cristalino Jungle Lodge, anfitriã da nossa Roda. Foto: Renato Rizzaro
Andriele Soares, coordenadora de Educação Ambiental do Projeto “Um dia na floresta”. Foto: Renato Rizzaro

Nossos amigos, felizes pela visita e pelo presente: fotos de aves da Floresta Atlântica e Pantanal. Foto: Renato Rizzaro


Aves do Cristalino

Alta Floresta entrou em nosso roteiro a partir do Avistar, quando conhecemos a Dona Vitória, presidente da Fundação Ecológica Cristalino, através de nosso querido amigo Edson Endrigo. Na ocasião, a conversa girava em torno da Caixa e do Poster de Aves do Pantanal, quando Dona Vitória nos revelou que gostaria de fazer um Guia de Aves do Cristalino, ideia que já tinha há tempo. Endrigo indicou-me como designer e houve empatia total. Após contatos pela internet e apresentação de layout, falamos da Expedição Amazonia e combinamos que passaríamos em Alta Floresta.
A própria Dona Vitória foi a anfitriã da Roda e Andriele Soares, coordenadora de Educação Ambiental do Projeto “Um dia na floresta”, acompanhou a atividade do começo ao fim.
Também estivemos no Cristalino Jungle Lodge, um dos melhores hotéis do Brasil segundo a National Geographic Traveler. Portal da Floresta Amazônica, faz parte da RPPN Cristalino desde 1997, a primeira Reserva Particular da Amazonia mato-grossense.
O Cristalino Jungle Lodge tornou-se o principal destino de observação de aves da Amazonia por possuir um terço de todas as 1.800 espécies de aves brasileiras.
A riqueza não está restrita somente às aves, estendendo-se aos pequenos mamíferos, répteis, anfíbios, peixes e borboletas, além da própria vegetação amazônica, que neste caso está muito bem preservada.
Enfim, um verdadeiro paraíso gerenciado e guiado por uma equipe afinadíssima com os conceitos da maestra Dona Vitória, sempre presente com seu sorriso franco e ideias cativantes.

29 de novembro de 2012

Na Terra dos Xavantes



A região é rica em sítios arqueológicos com pinturas e gravuras representando figuras geométricas e formas humanas.





Povoada originalmente pelos Xavantes, Nova Xavantina faz parte da Serra do Roncador e sua história está ligada a Bartolomeu Bueno da Silva e Pires de Campos, expedicionários que estiveram ali no Século 17 em busca de ouro e índios.


"Para um naturalista o lugar era ideal, pois perto dali se ofereciam os mais diversos tipos de ambiente. Cerrado, buritizal, mata e rio - tudo estava relativamente à mão e continha todas as interessantes características de uma zona de transição, tanto em relação à fauna quanto à flora."


"As plantas do Cerrado, em sua maioria, possuem raízes fortes que mergulham na terra a vários metros e, em determinadas circunstâncias, alcançam depósitos de águas pluviais que se situam bem fundo."


Navegamos pelo Rio das Mortes guiados pelo Marcos, o Cocó, caseiro do sítio Ponte de Pedra e amigo do Maurinho do Roncador.


A mãe do Cocó, Dona Maria e os netinhos Júlia e Pietro saboreiam uma jaca colhida na hora.


Seu Luiz, pai do Cocó, além de cuidar de sua propriedade próximo ao sítio Ponte de Pedra, sai em voos lépidos pelos campos da imaginação.


No rio das Mortes começava o território indígena, relata Helmuth Sick em seu livro Tukani, em 1945 durante a Expedição Roncador-Xingu e continua: "Tratava-se dos mal afamados Xavante, cujo reino até então indisputado estendia-se do rio das Mortes até as nascentes do Xingu.
Os Xavante se incluíam entre as tribos  que mais obstinadamente resistiram à civilização. Os próprios brancos, com sua brutalidade, provocaram a inimizade dos índios. Sob pressão feita por eles, os Xavante, na segunda metade do Século 18, abandonaram sua terra de origem, a leste do rio Araguaia, e retiraram-se para o outro lado do rio das Mortes, onde se estabeleceram nos campos secos que até então, para os brancos, eram inabitáveis. Aí viveram semque os molestassem, mas dando-se a ocasionais investidas contra tribos vizinhas e também contra os brancos; não toleravam nenhuma usurpação de seu território. O último conflito havia ocorrido em 1941, ou seja, quatro anos ante, e nele perderam a vida seis funcionários do SPI."


"O calor cingia a terra, erguendo-se dos matagais de escassa folhagem como um sopro de fogo. O chão pedregoso queimava através das botas. Nem a brisa mais leve se fazia sentir. Tinha-se a impressão de que um incêndio espontâneo ia ocorrer no campo. É um fato digno de nota que a época mais quente do ano, entre setembro e fevereiro, seja chamada no Mato Grosso de inverno.
Sem dúvida o calor é um dos principais fatores que levaram a formação do Cerrado como tipo peculiar de paisagem. A temperatura do ar chega a 45º C, na sombra, e ao nível do solo já foi registrada em 57º C. Em noites claras, por outro lado, a temperatura cai para 22º C e ainda menos, havendo uma variação térmica ao  longo do dia que supera em muito a variação existente entre as estações do ano."

17 de novembro de 2012

Roda de Passarinho no Roncador

Portal do Roncador visto da terra do Maurinho. Foto Renato Rizzaro


No dia 25 de agosto de 2012 iniciamos nossa Expedição Amazonia a partir da Reserva Rio das Furnas com destino ao Parque Viruá, em Roraima. Foram 12.800km com direito a desvios por conta de estradas bloqueadas, caminhos a serem descobertos, atalhos interessantes, dicas dos amigos, curiosidade e muita disposição para conhecer a Amazonia que tanto nos fez sentir pequenos quando observamos samaumas e castanheiras, quanto impotentes ao presenciar queimadas e derrubadas quilometricas.
Publicaremos a Expedição tendo como fio da meada a Roda de Passarinho, introduzindo experiências, amigos, visitas e desvios pouco a pouco, homeopaticamente. Afinal, a ideia é tentar transmitir tudo o que sentimos e vivemos nestes 78 dias de estrada.

Na Escola Castro Alves, no Vale dos Sonhos, aconteceu a primeira Roda de Passarinho da Expedição com a participação do diretor Nilson, professora Ivone e Maurinho. Foto: Maurinho

Poster das Aves dos Biomas Brasileiros

O objetivo desta Expedição é continuar o trabalho iniciado na Reserva Rio das Furnas, com apoio institucional da SPVS e orientação do Vítor Piacentini, de levantamento fotográfico das aves para publicar uma série de Posters dos biomas brasileiros.
Estes Posters também fazem parte da atividade de Educação Ambiental que chamamos de Roda de Passarinho, trabalho voluntário que executamos durante nossas Expedições e na nossa comunidade, em São Leonardo, desde 2001.
O primeiro da série foi o Aves da Floresta Atlântica, o segundo, Aves do Pantanal e o próximo está dedicado às Aves da Floresta Amazonica e deve sair em meados do ano que vem, pois agora iniciamos o trabalho de seleção e identificação das mais de 500 fotos tiradas entre as quase mil que foram avistadas durante a Expedição.


Posters são doados para a Escola como incentivo ao conhecimento das aves. Foto: Gabriela Giovanka

Os mesmos Posters que são doados às escolas também podem ser adquiridos pela Internet, clicando aqui. Assim, você contribui com a próxima edição e com a Expedição, pois tudo é feito por nossa conta e risco, sem patrocinios, com apoio de quem acredita no trabalho da gente.

Bom, "bóra" reviver a Expedição Amazônica?!

Na Roda de Passarinho apresentamos aves de outros biomas. Foto: Renato Rizzaro

A Roda no Vale dos Sonhos
Amanhece ao pé da Serra do Roncador. O sol anuncia mais um dia seco e quente com nuvens baixas, como uma névoa que nos remete aos vales de Santa Catarina. Porém, são nuvens de fumaça provocadas pelas queimadas que nos acompanham desde o Oeste do Paraná, passando por São Paulo, Goiás até a divisa de Mato Grosso. Isso deixa a paisagem embaçada e o sol demora a aparecer, tão denso é o bloco de humo que emana da prática inconsequente da queimada sempre por esta época do ano.

Amanhece no Vale dos Sonhos, 30 de agosto no Posto do Genivaldo. Foto: Renato Rizzaro

Estacionamos a Toynha no único Posto de Combustível da região e batemos um bom papo com o Genivaldo, iniciante na lida com o combustível mas que já mostrava jeito pra coisa. "Meu pai cuida de uma terra lá pras bandas da Serra do Roncador e por aqui a gente sempre precisa de combustível mas tem que ir até Barra do Garças. Então, meu pai resolveu comprar este posto de um camarada que não gostava muito do que fazia e eu agora estou cuidando e já mudei muita coisa, pintei, dei uma ajeitada pra ficar mais bonito", conta Genivaldo.
Lá mesmo perguntamos sobre o Maurinho do Roncador, figura conhecida por ter uma história peculiar e ambientalista. "Todo mundo por aqui conhece o Maurinho, mora pras bandas da Pedra Aguda, na ponta do Roncador." E lá fomos nós.

Torres Gêmeas: contraste com os campos cultivados. Foto: Renato Rizzaro


Numa curva fechada da BR158 entramos numa transversal que leva direto ao sítio do Maurinnho e fomos recebidos por Ninja e Bandite, fiéis caninos que cuidam do local quando o dono sai para os bloqueios policiais da BR para apreensão de madeira ilegal e peixes fora de medida, que são doados às escolas municipais. Maurinho é voluntário neste serviço, em conjunto com a SEMA e a Policia Federal.
Profundo conhecedor do local e das histórias e aventuras misteriosas que atraem cientistas, místicos e curiosos, Maurinho também é guia.

Maurinho mostra formação geológica da Era Plutônica numa fenda. Foto: Renato Rizzaro

Resina e água sagradas salvam sua vida
Maurinho esteve à beira da morte. Conta que foi atingido, quando caminhava pelo acostamento da BR158, por um aro de pneu que escapou de um caminhão e acertou a coluna vertebral e, para complicar, levava um facão na mão que foi cravado em seu rosto.
Hospitalizado, inconsciente por dias, acordou sem os movimentos da metade do corpo para baixo e foi milagrosamente salvo por um sonho. Neste sonho, conta, tirava água de um determinado local da montanha e misturava a uma resina que brotava da rocha. Pediu ao seu pai que fosse até o local do sonho e coletasse a mistura. Até então, imóvel, com diagnóstico que previa a perda total dos movimentos das pernas, poderia voltar a mover-se, porém, com restrições. Meses seriam necessários para arriscar novos movimentos.
Tomada a mistura, para espanto e emoção de todos, um dia saiu andando e não parou mais. Desde então, a noticia se espalhou e muita gente começou a aparecer para tomar a água santa. A coisa ficou tumultuada e Maurinho resolveu dar um basta, porque até romarias já se formavam em sua porta. Hoje, ele usa a água santa em sua casa e na pousada e a resina coleta algumas vezes para quem realmente precisa.

"É difícil administrar a minha terra sozinho, porque sempre tem gente querendo entrar sem autorização, o que faço é receber as pessoas para guiar nas trilhas e fazer meditações na base do Roncador, tudo em silêncio e não admito bebidas alcoolicas na minha propriedade, não fecha com o astral do local." Maurinho tem ideia de expandir sua pousada e construir mais alguns refúgios ao pé da Montanha, em seu sítio. Possui duas cabanas para hospedar visitantes e pesquisadores.

Tudo é gigantesco e sublime nas entranhas do Roncador. Foto: Renato Rizzaro

Barra do Garças
O Rio Araguaia é o principal da região, divisor dos estados de Mato Grosso, Goiás e Tocantins; estrada para os pioneiros, garimpeiros de diamantes e cenário da Guerrilha do Araguaia. As tribos Xavante e Bororo ainda sobrevivem em sua terra-mãe, apesar da discriminação pelo seu modo de vida. Base da Expedição Roncador Xingu, a cidade de Barra do Garças foi a nossa escolha para entrar na Amazonia influenciados por vários livros; Tukani, escrito pelo mestre Helmut Sick, o principal.

Troca-troca: hora de perceber e identificar detalhes nos passarinhos. Foto: Renato Rizzaro


Cordilheira da Era Plutônica
"A Serra do Roncador sempre foi mistério a desvendar. Bandeiras, desde o século 18, como a de Pires de Campos e Anhanguera, empreenderam tentativas à procura da tão decantada 'Mina dos Martírios". É uma imensa cordilheira da era plutônica, divisor de águas do Araguaia e do Xingu. Se estende desde o Centro-oeste, após a travessia do rio das Mortes, e vai até Mato Grosso adentro até o Pará, onde recebe o nome de Serra Pelada. Segundo mitos e lendas, os Atlantes estão soterrados sob seus paredões. O certo é que esta maravilha está sendo ocupada de forma irresponsável e a Natureza está confinada a pequenos espaços mantidos pela iniciativa privada. O que deveria ser patrimônio da humanidade.


Em busca de Fawcett
O desaparecimento do cel. Percy Fawcett foi motivo de várias expedições em busca de respostas que talvez não existam mais. Desaparecido em 1925, veio em companhia do filho Jacks e do Sr. Raliegh Rimeell com o intuito de pesquisar uma civilização pré-histórica. Era considerado o maior geógrafo e explorador britânico. Com seu filho e amigo desceu, em canoas precárias, o Curisêvu, até a confluencia com o Kuluene, cabeceiras formadoras do Xingu, onde desapareceram.
A origem da civilização Inca, o paralelo 16, o Templo de Ibez, o Caminho de Ió, Agartha, Shamballah, o chacra do planeta, o Portal de Aquarius, vulcões extintos, fósseis de dinossauros e discos-voadores são atrativos para cientistas, curiosos e místicos de toda parte, segundo o historiador Valdon Varjão.

Ensinamos a fazer flautas e uma kena de bambú como esta que o aluno experimenta tocar. Foto: Renato Rizzaro

A Lenda da Garrafa de Diamantes
Um lavrador, pai de numerosa família, senil e à beira da morte chama a todos e declara ter enterrado há muitos anos um tesouro; alguns quilos de moedas de ouro e algumas jóias de alto valor. Como o local indicado era entre "aquela serra e este vale", os filhos iniciaram a busca do tesouro porém sem sucesso. Para não perderem o trabalho com a terra revolvida resolveram cultiva-la, tirando dali uma boa safra. Anos seguiram e o ritual de procura, revolver a terra, etc., repetia-se e aí estava, na metáfora do tesouro, a riqueza que o pai deixara aos filhos.
Outra versão conta de combatentes da Guerra do Paraguai (1870) que foram garimpar no rio Garças e acharam diamantes. Com a chegada de índios, os homens assustados, encheram uma garrafa e enterraram em um ponto do rio. Quando voltaram perceberam que a enchente havia levado o seu tesouro, mesmo assim marcaram o local com uma pedra que está lá até hoje, conhecida como a Pedra do Arraya.
Bom, acontece que lenda é lenda e o povo transforma de tal forma os acontecimentos que ainda tem gente em busca da tal "garrafa de diamantes".

Da Floresta a gente tira tudo, até música! Foto: Renato Rizzaro

Desmatamento x agricultura
Com muitos incentivos federais na década de 70, Barra do Garças chegou a ser o maior produtor de arroz do país, impulsionado principalmente pelo povo vindo do sul do Brasil. Hoje predominam as pastagens, a soja e o eucalipto que invade, inclusive, o símbolo de maior poder da localidade: a Serra do Roncador.
Maurinho, criador do Instituto Ecológico Roncador é voluntário na fiscalização e apreensão de madeira ilegal na região.

Agradecemos ao livro Janela do Tempo de Valdon Varjão, presente do Maurinho, fonte de pesquisa.

29 de julho de 2012

O Criador de Passarinho


A turma logo após a atividade com a Professora Beth e Gabriela Giovanka


Fechem os olhos pois agora vamos imaginar um passarinho, o nosso passarinho, aquele que habita nossa mente. Percebam o tamanho, formato do bico, do rabo, os olhos; o topete, a sobrancelha, as patas; come fruta, folha, semente? Anda, voa, nada?
Mãos à obra! É hora de dar vida à imaginação. Assim começa a atividade com os alunos da Escola de Picadas que resultou na edição e impressão do quadro ao lado, réplica dos Posters da Floresta Atlântica e Pantanal.

Teve até classificação taxonômica! À família, por exemplo, acrescentamos o sufixo “dae” ao sobrenome do aluno. O gênero, “latinizado”, baseou-se numa característica marcante da ave e a espécie foi uma homenagem ao próprio aluno ou para uma pessoa querida. O nome popular surgiu de uma animada votação com muita brincadeira “séria-de-verdade”. Uma festa!

Celurium lailai, ave da família Bergeridae, criação de Laila Berger, por exemplo, ganhou o nome popular de Azulão-do-céu. Thiago de Oliveira homenageou a irmã Maisa, com o seu Cantador-de-crista-queimada (Cantatus maisai). Corredor-do-limoeiro (Athletarum gabrielii) e Caminhante-preto (Caminapretus brunoi) dos irmãos Gabriel e Bruno são da mesma familia, Weirichidae.

Experimentamos o que Flávio Krüger da SPVS nos revelou, dias após, ser um exercício do seu tempo de Universidade, ou seja, inventar para aprender.

Próximo passo: gravar os cantos destas aves. Pi-pi-pi.

Thiago Rosa e o seu difícil esboço do Miúdo-da-mata



Gabriel e o elaborado Corredor-do-limoeiro




Poster miniatura, réplica dos posters de Aves da Floresta Atlântica e Pantanal



15 de julho de 2012

Pescaria na Ponta do Coral

Atobá (Sula leucogaster) apanhou o peixe no ar e comeu!
Uma boa pedalada hoje pela manhã com parada na Ponta do Coral até mudar a cena de vento e ameaço de chuva para um céu inflado de azul. A pescaria estava pra lá de boa, com biguás, gaivotas, tesourões e os trinta-réis-de-bico-vermelho. Festa no mar! Pedalei com meu amor, Gabriela Giovanka, que aproveitou o solzinho pra relaxar enquanto eu capturava as avesitas.


8 de julho de 2012

Reflexos na Ilha de Santa Catarina

Gaudi?

O contrário de nada é nada.

Reflexos da modernidade...

6 de julho de 2012

Cantores na Roda de Passarinho


Crianças após a Roda com Gabriela, Irani, Alexsandra e José Vitor Centeno

Hoje a tarde no Ceafis uma experiência com som e imagem. Primeiro, apresentamos o canto e depois a Roda de Passarinho ganhava a foto. A garotada participou pra valer, inclusive imitando algumas aves! Alguém lembrou do Faustão. Lá o Edson Endrigo apareceu acompanhando um rapaz que conseguia imitar muitas aves. É um prazer ver essa criançada assobiando e cantando igual passarinho. Também foi um prazer ver os desenhos que as crianças fizeram de nossa Roda anterior. Super criativos!

Agradecemos ao José Vitor Centeno Rodrigues por ter nos apresentado a este pessoal maravilhoso e já queremos divulgar aqui o trabalho do Ceafis, que está aberto aos músicos, desenhistas, fotógrafos, bailarinos, professores e artistas, enfim, que possam doar um pouquinho de tempo para esta galerinha bacana.
Entre em contato com a Irani, pelo email: coordceafis@gmail.com

29 de junho de 2012

Banquete na Floresta


Stephanoxis lalandi | Beija-flor-de-topete | Plovercrest | photo Renato Rizzaro


Dia nublado e muito frio, caminhamos pela trilha à beira do Rio das Furnas e um fantástico zumbido em torno de uma Bracaatinga chama atenção: um banquete na Floresta!
Época de poucas flores, o excremento dos pulgões é a salvação para insetos e beija-flores que chegam a montar guarda ao lado de “sua” árvore, enxotando os invasores.
Pulgões sugam a fina casca da árvore e eliminam o xarope doce por um tubinho através da “fumagina”, acumulação de fungos adubada pela excreção dos próprios pulgões. Esse xarope é a seiva açucarada dos vegetais que passa pelo corpo desses insetos, absorvida em maior quantidade do que podem assimilar.

Vaca de formiga
Por um processo de toque, semelhante à ordenha, algumas formigas também obtêm dos pulgões a valiosa substância. Alimento principal de muitas delas, tendem a proteger suas “vacas” tão conscienciosamente como faz qualquer povo pastoril.

Árvore da vida
Quando as flores disponíveis para a coleta de néctar tornam-se raras, entre maio e setembro, o “mel da casca” é a sobrevivência das colméias catarinenses.
De sabor pouco doce, com uma concentração de minerais em média cinco vezes maior do que a do mel comum, este mel produzido a partir da excreção dos pulgões da Bracaatinga (Mimosa scabrella) também é conhecido como wald honig (mel da floresta) pelos alemães.
Pode ser consumido por diabéticos, pois possui baixo teor de açucares; excelente para prevenir gripes; sessenta toneladas deste valioso mel vão para a Europa todos os anos e, mesmo com todas essas vantagens, ainda tem gente derrubando, queimando e transformando floresta em pasto e plantação de pinus.
Um delicioso banquete que poderia durar toda vida.

Fontes  Helmut Sick, Eurico Santos

1 de junho de 2012

Os dramas do mundo e os olhos das crianças



É paradoxal e aflitivo: 2.800 cientistas reunidos em Londres assinam, no simpósio Planet Under Pressure, uma declaração sobre o estado do planeta, na qual dizem que "o funcionamento do sistema Terra (...) está em risco"; que poderemos enfrentar ameaças graves na questão da água, dos alimentos e da biodiversidade, com crises econômicas, ecológicas e sociais. No Brasil, quase 800 municípios do Semiárido enfrentam estado de emergência, com uma seca que pode ser a mais grave em 40 anos e já deixa prejuízos superiores a R$ 12 bilhões. Também no Extremo Sul do País a seca é gravíssima. No Amazonas, dois terços dos municípios se veem às voltas com uma inundação inédita, que já afetou 70 mil famílias e inundou até partes de Manaus (após fortes estiagens em 2005 e 2010 e outra forte inundação em 2009).

Embora 65% dos brasileiros ouvidos numa pesquisa CNI/Ibope considerem "muito graves" os problemas relacionados com o clima, nossas políticas continuam fazendo de conta que não precisamos perder tempo com o "ambiente" - tanto que no novo Código Florestal, mesmo após os vetos presidenciais, anistiamos a maior parte dos desmatadores, permitimos a ocupação de encostas e topos de morros (que assoreia rios e contribui para inundações), reduzimos áreas preservação à beira-rio, permitimos a ocupação de partes de mangues. E não tomamos conhecimento das advertências dos cientistas.

Já desmatamos quase 20% da Amazônia, quase 50% do Cerrado, só restam 7% da Mata Atlântica, quase nada dos Pampas, o Pantanal já sofre muito. O pretexto é não "prejudicar a expansão da agropecuária", quando a Embrapa há mais de 20 anos diz que não é preciso desmatar um só hectare: temos 200 mil hectares já desmatados e sem ocupação econômica, além de metade das pastagens degradadas. Mais grave ainda, qualquer que seja a decisão final do Congresso Nacional a respeito do projeto, tudo tenderá a ficar como nas práticas predatórias de hoje, já que o Ministério do Meio Ambiente, com menos de 1% do orçamento da União, não tem estruturas para fiscalizar com rigor e mudar o quadro.

Também não se deve esperar muito na Caatinga. O projeto de transposição de águas do Rio São Francisco, que o ex-presidente Lula anunciava como redenção para "12 milhões de pessoas que sofrem com a seca", em 2012 só teve gastos 2,2% do seu orçamento (Estado, 23/5), está com 4 dos 16 lotes de obras paralisados, já custa quase o dobro do que fora orçado e a água, quando chegar, irá em grande parte para grandes projetos agrícolas de exportação, outra parte para cidades que desperdiçam mais de 40% do que sai das estações de tratamento.

Para a Amazônia encontra-se em discussão no Congresso projeto para abrir as terras indígenas à mineração - quando estudos internacionais e nacionais dizem que essas reservas são o caminho mais eficaz para a conservação da biodiversidade, uma das riquezas nacionais. E uma medida provisória reduz a área de várias unidades de conservação para permitir a formação de grandes lagos para sete hidrelétricas - quando estudo da Unicamp/WWF, já citados várias vezes neste espaço, considera que não precisamos de novas mega-hidrelétricas, e sim de conservação e eficiência energética, além de redução de perdas nas linhas de transmissão.

Mas a falta de juízo não é só por aqui. Há poucos dias, terminou em fracasso - "discórdia e desapontamento", segundo o jornal The Guardian (25/5) - mais uma reunião da Convenção do Clima. Com retrocesso até, já que muitos países (principalmente Índia e China) se mostram relutantes em continuar apoiando a carta de intenções aprovada no ano passado em Durban, que acena para 2015 com um compromisso de todos os países para reduzir as emissões de poluentes, mas só entrando em vigor em 2020. Aprovou-se apenas a prorrogação do Protocolo de Kyoto, porque este envolve altíssimos recursos financeiros, ao permitir que um país ou empresa financie em outro país projeto que reduza emissões - e contabilize a redução no seu balanço próprio. Há um mercado mundial de muitos bilhões de dólares envolvido.

As discussões foram as de sempre: quem deve pagar pelas reduções, países ricos ou "em desenvolvimento"? Como farão China, Índia e outros que ainda precisam dotar de energia as casas de centenas de milhões de pessoas e só dispõem de combustíveis fósseis? Que se fará agora com o novo caminho de extração de gás de rochas, chamado de fracking, que dizem poluir menos, mas implica liberação de metano? A Agência Internacional de Energia não se cansa de advertir que já nos estamos aproximando do limite de mais 2 graus Celsius no aquecimento da Terra, mas as emissões de poluentes continuam em nível recorde - e a partir de 2017 a alta terá efeitos irreversíveis. O tema também nos fala de perto. Segundo estudo publicado na revista da Fapesp por Fábio Castro, Minas Gerais poderá perder R$ 450 bilhões até 2050 com problemas climáticos; o País todo, R$ 3,6 trilhões em 40 anos.

E a três semanas do início oficial da conferência Rio+20, na qual todos esses temas - mais a pobreza no mundo, redução do desperdício de alimentos (1,3 bilhão de toneladas anuais), novas formas de calcular crescimento, "economia verde", "governança sustentável" - em princípio estarão na pauta, surgem os temores de outro malogro, já que as discussões preliminares continuam patinando. O temor já foi manifestado pela ex-primeira-ministra norueguesa Gro Brundtland e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

"O planeta não é sustentável sem controle do consumo e da população", diz a britânica Royal Society (Folha de S.Paulo, 27/4). Mas da crise econômica no mundo "ninguém vai escapar sem ser afetado". Poderemos até levar "de um século a dois para sair da crise", afirma o renomado economista James K. Galbraith, da Universidade Yale (Estado, 23/5). Seja como for, é preciso continuar encarando os olhos luminosos dos nossos netos e seguir lutando.

Texto de Washington Novaes - O Estado de S. Paulo - 1/6/2012

21 de maio de 2012

Franceses, latinos, gregos, Otto Maria Carpeaux, Ferreira Gullar, cartas eróticas de James Joyce e Les Temps Modernes esperam por você, distraído leitor


Quinze mil livros de bordas amareladas descansam tranquilos no número 1344 da Avenida Mauro Ramos, no centro de Florianópolis. Olhos apressados passam reto pela placa que sinaliza, logo depois da igreja evangélica nababesca, a existência de um pequeno achado: uma biblioteca quase-pública (mas sem público) que guarda o acervo de uma vida toda.

Quem sai do pandemônio do resto da cidade e entra nos fundos da casa que esconde a biblioteca sente um leve deslocamento no espaço e no tempo. Não parece Florianópolis, nem 2010. O sol das 15h passa pelas vidraças e bate nas prateleiras cheias de clássicos de direito, sociologia, filosofia, história, teoria literária e literatura. No quintal, uma bananeira exibe um cacho verde. Volta e meia, um bem-te-vi pousa na grama. Só o que remete ao mundo lá de fora são dois computadores parados num canto.

Vale a visita. Se não para pegar um livro (nem todos são emprestáveis), pelo menos para sentar, ler e aproveitar o ambiente agradável durante um tempo.

O charme do lugar começa pela sua história


O acervo pertenceu ao político, professor e apaixonado por leitura Osni Régis. Após assistir My fair lady, estrelado por Audrey Hepburn, ele resolveu construir na sua casa uma pequena-semi-réplica da biblioteca que aparece no filme. Depois que morreu, em 1991, a família decidiu abrir o espaço ao público e criou a Fundação Prof. Osni Régis, que banca a manutenção de tudo com recursos próprios.

Para quem estuda Direito, os muitos títulos na área representam o paraíso. Mas também há clássicos literários brasileiros e estrangeiros - franceses, latinos, gregos, uma prateleira toda de Agatha Christie e muitas raridades. Entre elas, a História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux, em sete volumes, uma pequena autobiografia de Ferreira Gullar, cartas eróticas de James Joyce para a mulher, as obras completas de Tomás de Aquino, Karl Marx e números de revistas pouco encontráveis por aí, como a francesa Les Temps Modernes, fundada por Jean-Paul Sartre.

Quinze mil livros: delicie-se

Fazer a manutenção de tudo isso já é complicado o bastante, por isso todas as ofertas de doações de livros são delicadamente negadas. O acervo permanece com 15 mil volumes há quase vinte anos.

“Livro é para ser lido, deixá-lo parado na estante não é o objetivo”, diz Isabel Régis, filha de Osni Régis e presidente do conselho curador da Fundação. Ela lamenta que a biblioteca tenha tão poucos visitantes. “Quando vem alguém é mais pra pesquisar na área de literatura e direito. Ou então as pessoas entram, olham o lugar e vão embora”.

Quem fica lá todos os dias cercada pelos maiores clássicos mundiais é Maria, que recebe os passantes, cuida dos livros, deixa o lugar sempre impecável e fica de olho no amadurecer dos cachos de bananas. “São mais gostosas que qualquer uma que se vende no supermercado”, saliva.

Ler um pouco, levantar, ir até o gramadinho lá fora, pegar uma banana, comer, escutar um passarinho. Por que mesmo ninguém nota aquela placa na Mauro Ramos?

Texto: Rosielle Machado
Fonte: Revista Naipe

8 de maio de 2012

Aves do Pantanal






O Poster de Aves do Pantanal segue o mesmo padrão de qualidade da primeira edição do Poster de Aves da Floresta Atlântica que ganhou uma segunda tiragem, revisada e atualizada. Ambos contaram com a parceria institucional da SPVS, Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental e revisão científica de Vítor Piacentini, do Museu de Ornitologia da USP.

Biomas brasileiros

Criado, fotografado e elaborado dentro da Reserva Rio das Furnas durante quase 10 anos, o primeiro Poster não demorou a bater asas e ganhar o Brasil e alguns países. A experiência com esse trabalho nos permitiu desenvolver o Poster de Aves do Pantanal em menos de um ano, o que significou um passo adiante na rota dos biomas brasileiros.

A ideia é percorrer os biomas brasileiros e desenvolver um Poster para cada um. Nossa rota ainda está indefinida e, tal qual aconteceu no Pantanal, será construída a partir de contatos por email, encontros, amizades e dicas antes e durante a expedição. 

Este ano pretendemos ir ao Amazonas orientados pelo amigo e ornitólogo Vítor Piacentini. Desta vez buscaremos as aves daquele bioma e levaremos as que temos em mãos, num troca-troca de passarinhos com as escolas que vão sendo contactadas pelo caminho e são indicadas por amigos, como temos feito até agora.

Roda de Passarinho

Roda de Passarinho na Escola de São Leonardo. A Caxola estava lá.

Desde o início nossa ideia foi apresentar as aves para os alunos do ensino fundamental Brasil afora, através da Roda de Passarinho, atividade que desenvolvemos há anos na Escola de São Leonardo e no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil-PETI, em Alfredo Wagner. 

Inspirados nas descontraídas rodas de conversa, samba e chimarrão, criamos essa, por onde circulam fotos de aves, penas, ninhos, sons, papos sobre hábitos, habitats e preservação ambiental. Até criamos um mascote, a Caxola de Ideias, com uma caixa de papelão virada do avesso, que já ganhou um companheiro no Pantanal, feito pelas crianças do Instituto Familia Legal.

No final de nossa atividade as crianças recebem uma fotografia 13 x 18cm de uma ave identificada e a sala, um Poster. Para o Pantanal levamos as aves da Floresta Atlântica, as mesmas que seguirão conosco para o Amazonas, enquanto que para os alunos de cá vamos mostrando as aves de lá. Devagarinho expandiremos nossa Roda que já esteve no Uruguai

Expedição ao Pantanal: Buraco das Araras

Ela sabe que é linda e charmosa ao ser fotografada

Edson Endrigo nos deu a primeira dica: Buraco das Araras. Um adjetivo para o local? Estupefaciente. Voos impressionantes de araras nos fizeram perder algumas fotos por conta da emoção, sentimento que fotógrafo deveria deixar de lado, mas também apanhamos do foco automático da EOS 5D que perdia-se no emaranhado de cores vibrantes que só neurônios especializados conseguiam definir.
Com calma conseguimos capturar os maravilhosos Udú-de-coroa, Anambé e Inhambú-chororó para o Poster.

Ainda em Jardim, na nossa segunda parada, capturamos casais de mutuns e bicos-de-agulha; o espetacular Araçari-castanho; Tucano-toco e alguns papagaios. Todos aparecem no Poster, menos o casal de Fim-fim (Euphonia chlorotica) que ficou com cara de pinto-molhado debaixo da primeira e única chuva da expedição, no Camping de Dona Henriqueta que cruza o Rio da Prata.

Bonito

A Caxola ganhou um namorado em Bonito, olha a cara de felicidade da danadinha!

Tietta Pivatto e Daniel de Granville, foram fundamentais para o sucesso de nossa expedição ao Pantanal. Além de nos apresentarem a Walkiria do Instituto Família Legal, onde aconteceu a primeira Roda de Passarinho, também foram responsáveis pela fantástica subida ao Rio Paraguai.

Com os alunos do Família Legal tivemos uma bela surpresa, pois identificaram certinho os cantos e hábitos de várias aves, recordação das oficinas promovidas pela Fundação Neotrópica, como nos contou Marja Milano, quando visitamos a sede da Fundação.

Ainda em Bonito fomos apresentados ao guia Antonio Carlos Candido, através do casal Siro Sirgado e Jô, com quem saímos para conhecer o Morro do Mateus e um belo trecho nas margens do Rio Formoso. Essas saídas deram ao Poster uma simpática Ema (Rhea americana), João-pinto (Icterus croconotus) e a magnífica Arara-canindé (Arara ararauna).

Bodoquena

Dona Edir e Luciana, do Instituto Educacional Serra da Bodoquena.

Siro e Jô - agora morando em Bodoquena – também nos apresentaram à madrinha dos Kaduweu, dona Edir que nos levou até seu Antonio Paraguai, onde fotografamos a Arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) que aparece no Poster. Dona Edir também nos levou até Luciana, coordenadora do Instituto Aroeira, onde aconteceu a segunda Roda de Passarinho e, de quebra, na saída do Instituto fotografamos um casal de periquitos-rei (Aratinga aurea).

A madrinha dos Kaduweu também nos levou até a cabeceira do Rio Betione, local de nossa pernoite e avistamento do Sanhaçu-do-coqueiro (Tangara palmarum).

Welcome to Pantanal

Fabiano, da Pousada Aguapé: passarinhada inesquecível.

Na primeira descida, saindo de Bodoquena, vislumbramos o vasto Pantanal com suas pequenas elevações e um mar de vegetação baixa e cerrada em volta dos morros que de tempos em tempos transformam-se em ilhas.

Nossa próxima parada foi no Camping da Pousada Aguapé onde esperávamos chegar até o alvorecer, mas a estrada-das-costelas-de-vaca que liga a BR262 ao nosso destino fez com que a marcha fosse diminuindo, diminuindo até quase parar num sufoco de poeira com direito a incêndio na beira da estrada e tudo. A estradinha é simpática, vale a pena, só não viaje à noite porque a vontade é dar meia-volta e acampar na beira da BR...

Já na beira do Rio Aquidauana, após um banho regenerador e descanso merecido conhecemos o seu João, proprietário da Aguapé e “pai adotivo” do Endrigo, frequentador da pousada há anos. 

Fomos apresentados ao Fabiano, que nos guiou a uma passarinhada inesquecível. Da Aguapé trouxemos para o Poster o Príncipe-negro (Aratinga nenday), Gavião-preto (Urubitinga urubitinga), Biguatinga (Anhinga anhinga) e o raro Pica-pau-de-testa-branca (Melanerpes cactorum).

Estrada Parque

O Élcio nos acompanhou até o fim da linha, na Estrada Parque.

Sonho de todos que viajam ao Pantanal, a Estrada Parque nos recebeu com pegadas Tuiuiú logo na primeira parada. Um problema: muitos caminhões indo e vindo por conta da destruição das pontes, pois as chuvas daquele ano foram uma das maiores dos últimos tempos. 

Mesmo assim, conseguimos chegar ao Camping da Pousada Passo do Lontra no final de mais um dia. Nesse oásis de cavaleiros, turistas e pescadores fotografamos o Pica-pau-branco (Melanerpes candidus), Garça-real (Pilherodius pileatus) e o magnífico Surucuá-de-barriga-vermelha (Trogon curucui).

Pioneiros do ecoturismo

Élcio: absolutamente integrado ao seu ambiente pantaneiro.

Élcio Rodrigues da Silva nasceu em 12 de janeiro de 1971 em Corumbá. Sua mãe, Solane Fretes da Silva é Paraguaia e o pai Ramon Rodrigues da Silva veio de Cuiabá muito novo. Élcio Pantaneiro, como é conhecido, foi um dos primeiros a se embrenhar no coração do Pantanal com turistas estrangeiros. 

Conhecemos essa pessoa tranquila através de uma indicação do único barzinho na Estrada Parque, após sairmos do Camping Passo do Lontra em direção a Corumbá. 

Passamos alguns dias ao seu lado, conhecemos o Rio Abobral e um pouco da vida desse guia apaixonado pelo Pantanal. Ouça a conversa que gravamos com Élcio

Corumbá

Lindos bailarinos na Roda de Passarinho do Moinho.

“Não porque seja minha terra, mas vocês tem que ir até Corumbá, conhecer o rio Paraguai”, com essa frase cheia de sorrisos o Élcio nos desejou boa viagem e fomos em frente. Nossa vontade era ir pela Estrada Parque, passar pela borda da Nhecolândia, conhecer a Curva do Leque, Porto da Manga, mas não conseguimos; a Estrada Parque estava interditada e a BR262 seria o único caminho.

Chegando em Corumbá fomos ao Moinho Cultural, a convite de Viviane Fonseca Moreira, Bióloga e Gestora do Setor de Meio Ambiente do Instituto Homem Pantaneiro, com quem Daniel de Granville já tinha nos conectado por email. Nesse antigo moinho, no Porto Geral de Corumbá, recuperado e transformado em Ponto de Cultura, fizemos nossa Roda de Passarinho entre ensaios de bailarinos. 

No pátio, estacionados em nossa casamóvel, tivemos belas surpresas, tanto com o carinho do Espirito, zelador do local, como da passarada que dividia espaço com músicos que ensaiavam para um espetáculo.

Escola Jatobazinho

Na volta ao Jatobazinho o abraço de queridos amigos.

A convite de Viviane embarcamos na segunda-feira de manhã para conhecer a Escola Jatobazinho e lá apresentar nossa Roda de Passarinho. Coordenada por Jéssica Marcelle Cedron de Souza do Acaia Pantanal, fomos recebidos com carinho e tamanha foi nossa surpresa ao perceber que ela própria nos havia cedido o seu quarto, com ar-condicionado e tudo! Porque faz tanto calor no Pantanal, de cozinhar o miolo! Porém, com um detalhe: nos disseram que o calor mal havia chegado, imagine...

Numa coincidência generosa nossa visita aconteceu com a volta às aulas. Muitas rabetas encostaram no porto do Jatobazinho com famílias inteiras trazendo seus filhos para a escola. Ares de despedida, rever amigos de sala, de quarto, professores amigos, merendeiras, toda uma equipe preparada para mais uma jornada de aulas.

Foram dias maravilhosos em que fomos recebidos com muito carinho por toda a equipe da Escola. A fauna da região é muito rica e de lá trouxemos Asa-branca (Dendrocygna autumnalis) e Xexéu (Cacicus cela) para o Poster das Aves do Pantanal.

Para adquirir os Posters



Bom, agora é hora de mostrar o nosso trabalho, continuar nossa expedição, fazer contatos para conhecer o Amazonas e de lá trazer mais um Poster para ser distribuído entre crianças e a galera que apoia nosso trabalho desde o primeiro momento. Afinal, nossa meta sempre foi e será espalhar o conhecimento da beleza alada de nosso Brasil e esta é a forma que encontramos.

Para adquirir o Poster de Aves do Pantanal, o procedimento é o mesmo do anterior, ou seja, fazer um depósito de R$ 30,00 +  R$ 5,40 de despesas de Correio. Para isso vc precisa entrar em contato pelo email riodasfurnas@gmail.com e saber como proceder. O material é enviado com registro + seguro e em tubos para proteção.

Há um desconto especial de lançamento para aquisição de dois posters, ficando em R$ 50,00 + R$ 7,00 de despesas de Correio.

Avistar 2012

Fotos utilizadas no Poster estão inteiras e originais na Caixas de Aves


Participamos da maior feira de aves do Brasil, o Avistar em São Paulo, de 18 a 20 de maio. Lá muitas pessoas conheceram a gente e adquiriram os posters com os mesmos valores de lançamento, ou seja, R$ 30,00 cada um ou R$ 50,00 os dois. 

Também levamos as Caixas de Aves dos biomas visitados, uma peça personalizada com as fotos originais utilizadas na confecção dos posters. Mais detalhes clique aqui.

Abaixo, detalhes do Poster de Aves do Pantanal.