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13 de fevereiro de 2012

Futebol Guarani em Biguaçu

O contato com a bola começa bem cedo

Caminham por todos os lados juntos, sempre!


A escolha da madeira ideal para confeccionar cabo de ferramenta
  


O avô de todos e homem de medicina, 103 anos de idade, sai em busca de um cabo de ferramenta antes do início do jogo. Seus inseparáveis companheiros estão sempre por perto.

   

Sábado, 11 de setembro de 2012, fomos convidados pelo amigo Ricardo Prudencio para conhecer a Aldeia M'Biguaçu. Pousamos por lá, em nossa Toya Home, e conhecemos um pouco da vida dos Guarani, índios hippies, segundo palavras do saudoso prof Sílvio Coelho dos Santos.
Ric é amigo dos Guarani há tempos, amizade que teve início através da Comunidade em que mora, na Vargem Grande.

Ricardo é amigo de toda a aldeia

Levam a vida como sempre, claro, com algumas adaptações civilizadas, que incluem carros, TV e celulares, além de computadores e todas as ferramentas do mundo moderno. Mas isso não tira o bom humor de ninguém, aliás o que eles tem de sobra! São gozadores e muito bem humorados, pessoas da paz, como gosta de se referir a sua gente o avô de todos, Seu Alcindo. Ele é também o homem da Medicina na aldeia. E vem gente de muito longe, inclusive, buscar a cura com este senhor de 103 anos. Conhece todo tipo de planta que utiliza para curar todo tipo de mal, mas adianta "tem que acreditar na planta, senão, não cura nada..."
Enxerga muito longe e bem; come e dorme pouco e está sempre atento aos movimentos da aldeia. Tivemos a oportunidade de estar junto de sua família à noite e no dia seguinte, e percebemos que há muito respeito!
Quando questinei se lembrava da sua avó e quantos anos havia vivido, me encarou nos olhos: branco é curioso mesmo, não tem?! Pois lembro sim e muito. Minha avó-secular morreu com 197 anos (isso mesmo, tbem achei que seria "só" 97, aí ele repetiu cento e noventa e sete, pra eu escutar diretinho). Lembrei de alguns trechos que li sobre a longevidade dos amazonenses na época em que os jesuitas estiveram no Brasil e tem alguns relatos de longevidade extraordinários. Viviam 200 anos ou mais!

Preparar o campo é a primeira tarefa do dia. Roçam, marcam e divertem-se junto com os filhos, amigos e mulheres

A torcida chega e vai buscar logo uma sombra, pois o sol é bem forte nesta tarde de futebol
 


Atento, Seu Alcindo, o avô-secular, presta atenção em todos os movimentos desde o início do jogo
O filho mais velho do Seu Alcindo, Augustinho (de vermelho) veio de uma aldeia de Viamão para buscar a cura com seu pai, homem da medicina Guarani. Agora, curado, é juiz da partida entre o time local e a Aldeia de Morro dos Cavalos.

Chuteiras e pés descalços dividem a bola com arte



 Nos intervalos, a galera não perde tempo. Gosta de mostrar suas habilidades

O único contratempo do jogo, já no finalzinho... Seu Alcindo entra em campo para socorrer um atropelo. Na mão, a medicina, feita de ervas para curar qualquer contusão.

O avô-secular e a terceira ou quarta geração

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