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1 de outubro de 2014

Criação e Edição da Agenda Acaprena 2015

Capa

Quarta capa

Página dupla para Momento Engenharia Ambiental

13 de setembro de 2014

Design, assessoria de edição e impressão livro Primórdios da Justiça







Matéria na Revista Veja, 3 dezembro 2014.

Também a FOLHA publicou excelente resenha sobre a obra. Clique e leia

6 de setembro de 2014

Mato branco, Tom Zé, Caatinga, Euclides da Cunha

Ainda é preciso ler o Euclides do Tom Zé, HQ ligado nas tomadas, fustigante, desenhado na pena livre de quem não cabe no papel, obra sem fim, porque te leva em cada frase a uma reflexão; inevitável subir os olhos para o Euclides que paira, e olhe como paira!

"As favelas, anônimas ainda na ciência - ignoradas dos sábios, conhecidas demais pelos tabaréus -  talvez um futuro gênero cauterium das leguminosas, têm, nas folhas de células alongadas em vilosidades, notáveis aprestos de condensação, absorção e defesa. Por um lado, a sua epiderme ao esfriar-se, à noite, muito abaixo da temperatura do ar, provoca, a despeito da secura deste, breves precipitações de orvalho; por outro, a mão que a toca, toca uma chapa incandescente de ardência inaturável.



Ora quando, ao revés das anteriores, as espécies não se mostram tão bem armadas para a reação vitoriosa, observam-se dispositivos mais interessantes; unem-se, intimamente abraçadas, transmudando-se em plantas sociais. Não podendo revidar isoladas, disciplinam-se, congregam-se, arregimentam-se. (...) E vivem. Vivem é o termo - porque há, no fato, um traço superior à passividade da evolução vegetativa...

A luta pela vida, que nas florestas se traduz como uma tendência irreprimível para a luz, desatando-se os arbustos em cipós, elásticos, distensos, fugindo ao afogado das sombras e alteando-se presos mais aos raios do Sol do que aos troncos seculares - ali, de todo oposta, é mais obscura, é mais original, é mais comovedora.

Mandacaru (Cereus jamacaru)

Os mandacarus atingindo notável altura, raro aparecendo em grupos, assomando isolados acima da vegetação caótica, são novidade atraente, a princípio. Atuam pelo contraste. Aprumam-se tesos, triunfalmente, enquanto por toda a banda a flora se deprime. O olhar perturbado pelo acomodar-se à contemplação penosa dos acervos de ramalhos estorcidos, descansa e retifica-se percorrendo os seus caules direitos e corretos. No fim de algum tempo, porém, são uma obsessão acabrunhadora. Gravam em tudo monotonia inaturável, sucedendo-se constantes, uniformes, idênticos todos, todos do mesmo porte, igualmente afastados, distribuídos com uma ordem singular pelo deserto.




Os xiquexiques são uma variante de proporções inferiores, fracionando-se em ramos fervilhantes de espinhos, recurvos e rasteiros, recamados de flores alvíssimas. Procuram os lugares ásperos e ardentes. São os vegetais clássicos dos areais queimosos. Aprazem-se no leito abrasante das lajes graníticas feridas pelos sóis.

Têm como sócios inseparáveis neste habitat, que as próprias orquídeas evitam, os cabeças-de-frade, deselegantes e monstruosos melocactos de forma elipsoidal, acanalada, de gomos espinescentes, convergindo-lhes no vértice superior formado por uma única flor, intensamente rubra. Aparecem, de modo inexplicável, sobre a pedra nua, dando, realmente, no tamanho, na conformação, no modo por que se espalham, a imagem singular de cabeças decepadas e sanguinolentas jogadas por ali, a esmo, numa desordem trágica. É que estreitíssima frincha lhes permitiu insinuar, através da rocha, a raiz longa e capilar até à parte inferior onde acaso existam, livres de evaporação, uns restos de umidade.


Cabeça-de-frade

E pouco mais se especializa quem anda, pelos dias claros, por aqueles ermos, entre árvores sem folhas e sem flores. Toda a flora, como em uma derrubada, se mistura em baralhamento indescritível. É a caatanduva, mato doente, da etimologia indígena, dolorosamente caída sobre o seu terrível leito de espinhos!
Vingando um cômoro qualquer, postas em torno as vistas, perturba-as o mesmo cenário desolador: a vegetação agonizante, doente e informe, exausta, num espasmo doloroso...




É a silva aestu aphylla, a silva horrida, de Martius, abrindo no seio da natureza tropical um vácuo de deserto.
Compreende-se, então, a verdade da frase paradoxal de August de Saint-Hilaire: 'Há, ali, toda a melancolia dos invernos, com um sol ardente e os ardores do verão!'
A luz crua dos dias longos flameja sobre a terra imóvel e não a anima. Reverberam as infiltrações de quartzo pelos cerros calcários, desordenadamente esparsos pelos ermos, num alvejar de banquisas; e oscilando à ponte dos ramos secos das árvores inteiriçadas, dependuram-se as tilândsias alvacentas, lembrando flocos esgarçados, de neve, dando ao conjunto o aspecto de uma paisagem glacial, de vegetação hibernante, nos gelos...





A tormenta


Mas no empardecer de uma tarde qualquer, de março, rápidas tardes sem crepúsculos, prestes afogadas na noite, as estrelas pela primeira vez cintilam vivamente.
Nuvens volumosas abarreiram ao longe os horizontes, recortando-os em relevos imponentes de montanhas negras.
Sobem vagarosamente; incham, bolhando em lentos e desmesurados rebojos, na altura; enquanto os ventos tumultuam nos plainos, sacudindo e retorcendo as galhadas.
Embruscado em minutos, o firmamento golpeia-se de relâmpagos precípites, sucessivos, sarjando fundamente a imprimadura negra da tormenta. Reboam ruidosamente as trovoadas fortes. As bátegas de chuva tombam, grossas, espaçadamente, sobre o chão, aduando-se logo em aguaceiro diluviano...




Ressurreição da flora


E ao tornar da travessia o viajante, pasmo, não vê mais o deserto. Sobre o solo, que as amarílis atapetam, ressurge triunfalmente a flora tropical. É a mutação de apoteose.
Os mulungus rotundos, à borda das cacimbas cheias, estadeiam a púrpura das largas flores vermelhas, sem esperar pelas folhas, as caraíbas e baraúnas altas refrondescem à margem dos ribeirões refertos; ramalham, ressoantes, os marizeiros esgalhados, à passagem das virações suaves; assomam, vivazes, amortecendo as truncaduras das quebradas, as quixabeiras de folhas pequeninas e frutos que lembram contas de ônix..."


Corrupião ou Concriz em Mulungu










9 de julho de 2014

Livro Primórdios da Justiça

Juarez, um dos impressores da Impressul, ajusta as cores do primeiro caderno. Foto Renato Rizzaro
O projeto para o livro Primórdios da Justiça está em minhas mãos desde 2011. Com grande prazer anuncio impressão neste julho de 2014. Livro que já estou trabalhando há tempos no design gráfico. Hoje, em fase de acabamento e em breve com lançamento oficial, em circuito nacional.

Obra cuidada com carinho e empenho de seu autor e da equipe, traz um tema que pretende revolver a história jurídica brasileira. Transcrevo um trecho do prefácio, feito por Marco Aurélio Mendes de Farias Mello, Ministro do Supremo Tribunal Federal:

"O propósito do livro é claro: instigar os leitores a revisitar o conhecimento dominante acerca da história jurídica do Brasil. Amílcar D’Avila, examinando documentos datados de 1526 a 1541, afirma não terem sido as primeiras manifestações do direito romano-germânico justiniano originadas dos escrivães portugueses, mas de “operadores da justiça a serviço da Coroa de Castela”. Adverte o autor, inclusive, que esses documentos, embora “tenham quase meio milênio de existência, contêm muitos institutos e prescrições que estão presentes em nossa Carta Magna de 1988, e nas de outros países, bem como em seus respectivos Códigos Civis e Penais”.

Trata-se de argumento desafiador. O autor busca promover uma reviravolta da óptica comum sobre o tema. Este é o papel de historiadores com vocação revolucionária – não apenas descrever por descrever, mas preencher possíveis lacunas ou equívocos do conhecimento, apontar fatos que possam recontar a sequência histórica do que acontecido e, assim, modificar premissas e conclusões até então tidas por inquestionáveis."

Aguardemos novidades.

10 de maio de 2014

Globo News publica matéria sobre Posters de Aves




21 de abril de 2014

11 de março de 2014

Design e tratamento de imagens para o segundo Guia de Aves de Paraty



O mais recente Guia de Aves de Paraty,  com fotos de João Quental. Design Renato Rizzaro.

14 de janeiro de 2014

Ave-fantasma / Urutau / Mãe-da-lua / Nyctibius griseus / Common Potoo na Ilha de Santa Catarina

Mãe-da-lua / Nyctibius griseus / Common Potoo com filhote em seu ninho
Matias Ternes é um menino muito bacana, adora aves. E lá pelas tantas começamos uma conversa sem fim sobre corujas, rapineiras e uma tal ave-fantasma que eu estava muito a fins de fotografar, ver de perto, conhecer pra valer. Então, anos avante, eis que chega a hora e lá fomos nós a fotografar tão elegante e lendária. Dedico este registro ao Matias e ao seu carinho com as aves.

Mãe-da-lua, Urutau, Ave-fantasma

A mãe-da-lua é um caprimulgiforme da família Nyctibiidae. Conhecido também como urutau, urutau-comum, urutágua, Kúa-kúa e Uruvati (nomes indígenas - Mato Grosso). O nome urutau é tupi e significa “ave fantasma”.

Há uma crendice na Amazônia de que as penas da cauda do urutau protegeriam a castidade. Por isso, a mãe varre debaixo das redes das meninas com uma vassoura confeccionada com estas penas.

Conta uma famosa lenda boliviana, que na densa mata habitava a bela filha do cacique de certa tribo, enamorada por um jovem guerreiro da mesma tribo, a quem amava profundamente. Amava e era amada. Ao saber do romance, o pai da menina, enfurecido pelo ciúmes, usou suas artes mágicas e tomou a decisão de acabar com o namoro da maneira mais trágica: matar o pretendente. Ao sentir o desaparecimento de seu amado, a jovem índia entrou na selva para procurá-lo. Enorme foi sua surpresa ao perceber o terrível fato. Em estado de choque, voltou para casa e ameaçou contar tudo à comunidade. O velho pai, furioso, a transformou em uma ave noturna para que ninguém soubesse do acontecido. Porém, a voz da menina passou à ave. Por isso, durante as noites, ela sempre chora a morte de seu amado com um canto triste e melancólico.

No Peru, mais especificamente na amazônia peruana, o Nyctibius griseus é uma ave arraigada na mitologia dos povos indígenas , onde é conhecido como “Ayaymama”, pois seu canto também lembra uma criança exclamando “ai, ai, mama!”. A lenda peruana conta que um bebê foi abandonado por sua mãe na floresta para evitar que morresse por uma peste que já havia dizimado todo o povo. Ele então se transformou em uma ave, que todas as noites lamenta por sua mãe.

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet fotografado na Reserva Rio das Furnas

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet (femea)

Pica-pau-anão-carijó / Picumnus nebulosus / Mottled Piculet (macho)


É provavelmente a espécie de distribuição mais austral na América, atingindo o sul do Uruguai, além de incluir os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil, e o Departamento de Missiones, na Argentina.

The Mottled Piculet (Picumnus nebulosus) is a species of bird in the Picidae family. It is found in Argentina, Brazil, and Uruguay. Its natural habitat is subtropical or tropical moist lowland forests. It is becoming rare due to habitat loss.